Informações:

O Tomate

  

Características

O tomateiro prefere climas subtropicais ou temperados, frescos e secos. Produz em qualquer solo, mas prefere os areno-argilosos ou argilo-arenosos, frescos, soltos, permeáveis ou de fácil drenagem, insolados e cuja acidez seja de pH 5,5 a 6,5.

Plantio e colheita

O solo deve ser arado, gradeado e adubado convenientemente como para as outras culturas de uma horta. Podemos obter 2 safras durante o ano: a das águas e a das secas. Pode ser semeado o ano inteiro ou de fevereiro a outubro, dependendo da variedade.

A semeadura pode ser feita no local definitivo, em viveiros ou em copinhos, estes a melhor opção. Neles são plantadas 3 sementes. Consideramos o copinho melhor, porque protege a planta evitando que se contamine ou pegue alguma doença ou praga. As mudas nos copinhos tem o desenvolvimento mais rápido e devem ser transplantadas para o local definitivo, quando atingirem 10cm de altura e com 4 ou 5 folhas, o que ocorre quando estão com 20 a 25 dias após o plantio.

Nas sementeiras ou viveiros, devemos semear com espaçamento de 10cm entre linhas e na profundidade de 1,5 a 2cm. As mudas devem ser repicadas quando tiverem 4 ou 5 folhas. O transplante para o lugar definitivo, neste caso, é feito quando as mudas apresentam 6 ou 7 folhas. Devemos fazer uma rega logo após o plantio, de preferência por infiltração, soltando a água em canaletas junto às linhas.

Para plantar no local definitivo devemos retirar o copinho e quando as mudas são de viveiro, devemos plantá-las com torrão. O plantio pode ser feito em sulcos ou em covas. A germinação leva de 4 a 5 dias. O espaçamento deve ser de 100cm entre linhas e 70cm entre as plantas, podendo variar até 120cm entre linhas e 40 a 80cm entre as plantas. Quando plantamos uma só muda por cova, devemos deixar crescer a haste principal e uma lateral mas, quando são 2 por cova, deixamos crescer apenas a haste principal de cada uma delas. As que ficarem, são despontadas quando atingirem as pontas dos tutores.

O tomateiro é amarrado ao tutor, por fios especiais. As espaldeiras de arame liso e galvanizado têm, em geral, 3 fios horizontais presos aos mourões e a 20, 50 e 80cm do solo. Devemos conservar 3 hastes fortes em cada planta. Quando usarmos espaldeiras, despontar a muda acima da terceira folha, alguns dias antes do transplante. 15 a 20 dias depois do plantio, devemos "chegar terra" nas mudas, formando as leiras. Outra operação importante e que deve ser feita quando as plantas tem 20 dias, depois do replante, é o tutoramento com o emprego de varas de bambu ou de madeira, com 2,20m de comprimento e apoiada em palanques presos em suportes de 20 em 20m. O tutor deve ficar enterrado 5 a 10cm longe das plantas para não ferir as suas raízes. O amarrio deve ser feito quando as plantas atingem 25 a 30cm de altura e, depois, à medida que a planta vai crescendo, vamos fazendo outras amarrações de 30 em 30cm.

A colheita começa em mais ou menos 70 dias após o transplante e prolonga-se por, mais ou menos, 45 dias.

Pragas afetam a produção de tomate
Pelo menos metade da safra paulista de tomate de mesa para este ano está perdida, segundo especialistas. A área mais atingida é a macrorregião de Campinas (SP), onde 6 mil hectares são dedicadas ao plantio intensivo da cultura. Mas as perdas devem ser sentidas em todo estado.

      A previsão é de que a área para novos tomateiros será restringida nos próximos meses a um terço do tamanho atual, o que deverá acabar com a hegemonia da região. Duas pragas virulentas são as responsáveis pelos fortes prejuízos dos produtores. A mosca branca, da estirpe Bemisia argentifolli - que chegou ao Brasil no início da década de 90 -, é o vetor que tem disseminado de forma rápida o vírus responsável pela crise da tomaticultura paulista.

      Inseto versátil

      A espécie é considerada pelos pesquisadores como um inseto versátil na transmissão de dois tipos de geminivírus para a planta, o Tomato Mosaic Rogose Virus (TMRV) e o Tomato Yellow Vein Streak Virus (TYVSV). Ambos são, por enquanto, os únicos geminivírus identificados em pesquisas do Instituto Biológico (IB).

      O problema é que não existem no Brasil variedades resistentes a estas pragas. Isso tem levado especialistas a equiparar a situação paulista àquela que dizimou a tomaticultura na região do Vale do Rio São Francisco, onde um complexo agrícola e industrial entre Bahia e Pernambuco teve de migrar para Goiás em razão do ataque virulento da mosca branca e do geminivírus. O assunto será pauta da 15 Reunião Anual do Instituto Biológico (Raib), dia 5 de novembro, em São Paulo.

      Características alteradas

      O ataque, que também começa a existir em regiões como Goiás, Minas, Espírito Santo, Rio, Bahia, Ceará e Pernambuco, ocorre em duas frentes. A mosca branca contaminada passa o vírus para a planta. O DNA do fungo se combina com o DNA do tomateiro, o que provoca uma alteração genética da planta e do fruto. A planta perde a configuração, as folhas ficam amarelas e encrespadas. O desenvolvimento se interrompe. Outro problema é a picada do próprio vetor no fruto.

      A saliva do inseto muda as características da polpa, o que compromete o fruto. "O que se sabe é que quanto mais cedo a planta é atacada, mais prejuízos terá. Quando é atacada num estágio mais avançado, os danos são menores", diz André Luiz Lourenção, pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

      "Houve uma negligência generalizada do governo ao longo de uma década. Não se fez absolutamente nada para evitar a situação que agora constatamos", afirma Paulo César Tavares de Melo, professor do Departamento de Produção Vegetal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

      Melo foi um dos primeiros pesquisadores brasileiros ainda em 1989 a alertar pesquisadores responsáveis pelo melhoramento genético sobre a importância de se criar uma variedade resistência à mosca branca e ao vírus que ela transmite. Regiões da Europa, EUA e Oriente Médio registraram o mesmo problema. "A diferença é que lá houve ação em busca de uma solução."

      Segundo o professor, a produção de Campinas que variava entre 280 e 320 caixas a cada mil pés de tomate cairá, em alguns casos, a 100 caixas por mil pés. Na média, a produtividade regional será a metade do potencial da cultura. O pior é que não existe solução no curto prazo. A crise mudou a forma de operação das empresas responsáveis pela padronização do fruto. Todas têm buscado tomate em Goiás, Minas e Santa Catarina para suprir a falta.

      Adollorata Calariccio, fitopatologista e pesquisadora do Instituto Biológico de São Paulo, admite que a situação da tomaticultura paulista é grave. O IB evoluiu pouco na solução. Além do sequenciamento molecular que permitiu identificar os dois tipos de geminivírus, o instituto tenta descobrir se ainda existe novos vírus sendo transmitidos às plantas. O Instituto já sabe, por exemplo, que a subsistência do vetor não está ligada apenas ao tomate, mas a outras culturas como berinjela, batata, até em ervas daninhas.

      Faltam recursos

      O poder de inoculação é alto e isso dificulta o controle da praga. As descobertas do IB estão nas mãos do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que já dispõem de um banco de germoplasma (novas variedades) supostamente resistentes ao ataque da mosca branca e do geminivírus. Mas neste caso, o problema é a falta de dinheiro para o desenvolvimento de pesquisas capazes de apurar a viabilidade destas novas espécies, segundo o pesquisador do IAC, André Luiz Lourenção.

 

 

 

 

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